quinta-feira, 29 de setembro de 2022

saudades

Me diz, tu num sente saudade não? 
Nem um pouquinho? Nem uma pontinha solta aí dentro desse teu peito cheio? 
Nem daquela música que eu ficava cantarolando no seu ouvido? 
Nem de me acordar cedo? Nem do meu bico implorando uma caneca ou um gole de você? 
Me diz, tu num tem saudade não? Nem de morrer inteirinho quando eu não ria de uma piada? Nem do modo como eu te sacava no olhar? 
Nem de me pedir pra ficar quando eu só queria sair correndo? Me diz vai. 
Uma vezinha só. Que a saudade daí tem o mesmo tamanho que a daqui. Que tu só guardou pra num machucar. Diz que não sabe mais fazer poesia e por isso finge que ela não existe. Diz que é só por isso que tu num chega hoje, porque ela não é tão bonita quanto a minha, mas tem o mesmo tamanho. Me diz, vai! Tu não sente saudade não?

terça-feira, 31 de maio de 2022

Me apaixonei por um marginal

E eu que me apaixonei por um marginal
Tentei entrar em seu mundo frio e sombrio.
Assustei me!
Porque dentro daquela capa existia alma.
Que Me pegou de jeito,
Jogou me na cama 
E disse vem...
Entrou em meu mundo sem pedir licença
Explorava cada parte de mim.
Sim, despertava as melhores sensações.
Torne -me mulher, amante, fera.
Uma explosão de sentimentos. 
Foi amor, carnal, sentimental.
Mais eu me apaixonei por um marginal!
Ele é um marginal...
E eu não passo de uma mocinha que se apaixonou por um marginal, marginal!

terça-feira, 12 de abril de 2022

Sobre quem vai embora.

Ninguém diz o quão difícil é partir. M
Ninguém fala sobre quem bate a porta e sai, ou pelo menos, quem deveria fazer isso. 
É mais fácil falar quando é a gente quem fica. 
É poético dizer que fomos deixados.
Todo o esgotamento mental, o remoer das memórias, a pesagem inconsciente do que vale ou não a pena, do que ainda vai conosco quando decidir partir...
 E também, o que fica de nós quando não ficamos? O que somos sem essa parte que fica?

domingo, 10 de abril de 2022

Falta tua

Hoje eu senti sua falta. 
E ao sentir sua falta, eu chorei.
chorei por perceber que não sentir sua falta, é menos doloros o do que sentir. 
porque admitir esse sentimento é como se eu nunca tivesse te arrancado do meu peito, mesmo você indo embora, mesmo você me quebrando em mil pedacinhos, mesmo você se tornando o meu abismo quando eu mais precisava que você fosse o meu lar, eu senti sua falta.

E é um misto de sensações sentir falta de alguém.

Porque mesmo quando a perda é inesperada ainda é uma perda.
você perde a pessoa.
você perde os momentos que passaram juntos.
você perde os planos que criaram juntos.
você perde, acima de tudo, um pedaço de si mesmo.

porque quando cortamos vínculos, cortamos as raízes que criamos um no outro, e não há nada mais doloroso do que cortar algo que foi cultivado por tanto tempo. 

se permitir sentir a perda, dói. 

dói porque até então, quando a gente perde, a gente cria um casulo, ergue um muro em nossa volta e nos esconde de todo sentimento que vá nos fazer mal.
e quando você percebe e admite pra si mesmo que ao ver aquela pessoa indo embora, ao ver a pessoa que você considerou a mais importante na sua vida, dar as costas pra você como se tudo o que vocês tivessem plantado e colhido, não passasse de ervas venenosas, dói. não apenas dói, como te dilacera, de dentro pra fora. 

e você se sente assim porque novamente, quando o outro vai embora, ele não apenas leva a si mesmo, mas também leva parte de nós! 

ele leva aquele sentimento que por tanto tempo você deu atenção e carinho.

ele se vai e você fica. e quanto tempo demoramos pra perceber que quem fica, sempre vai estar mais propenso a se anular? 

porque quem fica, se anula em não sentir a perda.
quem fica, se anula em não se envolver novamente.
quem fica, se anula ao ver o outro seguir e não fazer o mesmo por estar cansado demais.
quem fica, na maioria das vezes, não sabe nem por onde recomeçar, por quais caminhos trilhar novamente, por quais sentimentos se permitir transbordar.

quem fica perde o rumo e é tão doloroso se encontrar outra vez. 

mas, ao se encontrar, seu peito enche, seu coração transborda e o sentimento de não pertencer a lugar algum vai escoando pelo seus dedos como areia e você finalmente não se sente mais preso a um sentimento, ou a alguém.

você se permite e o quão aliviado você se sente ao fazer isso. o quão leve isso te deixa.

porque às vezes, a gente só precisa sentir e deixar que o sentimento nos arranque as lágrimas mais profundas e pesadas. precisamos chorar e perceber que tá tudo bem ao fazermos isso.

porque em alguns momentos, não é sobre quem fica, é sobre quem vai. e tá tudo bem ir às vezes.