domingo, 19 de novembro de 2017

depressão/superação

QUANDO EU MORRI

A primeira vez que eu morri, as pessoas não perceberam: eu cantava, brincava, contava piadas, fazia barulhos e algazarras, e as pessoas ainda pensavam que eu estava vivo; mas não estava. Eu jaz. E elas sequer perceberam. Mas, morto, eu pude ver que eu nunca vivera de verdade, apenas existira e sequer deixara um rastro da existência. Quando morri dessa vez, eu percebi que já estava morto mesmo quando acreditava estar vivo, e, depois da morte, eu pude chorar e descobrir que eu gostaria muito de ter vivido e não apenas existido. Quando morri, eu me enxerguei, e, arrependido, percebi que o que eu queria mesmo, durante todo o tempo em que estava morto, era ter vivido de verdade.

Quando tentei viver, então, eu não consegui, pois é difícil você viver quando por dentro você já está morto e não respira mais, então percebi que eu não poderia fazer isso sozinho. Mas também não podia pedir ajuda para viver, pois é difícil para quem está morto assim falar a linguagem dos que vivem. Mas, mesmo morto, eu clamei por ajuda. De alguma forma alguém me ouviu e me puxou para fora, lenta e calmamente. Eu respirei pouco a pouco e, assim, fui percebendo que eu era, sim, capaz de viver. Pensei que tinha voltado à vida e, acreditando nisso, eu sorri, eu chorei, eu gritei, eu aplaudi, eu fiz amigos e eu fui para cima: eu voltei a ter vida!

Quando morri de novo foi de repente: eu caí, pois sempre caio de dentro de mim: a minha beirada é estreita demais. Um vento forte me derruba, um tremor me faz desabar e uma tempestade me arremessa para longe do meu beiral. Então, quando ventou, eu despenquei para dentro de mim, e lá tinha um abismo que eu conhecia, mas desconhecia a proporção. E de novo percebi que eu, outra vez, estava morto.

Então aceitei minha condição, pois quando se morre assim, várias vezes, chega um momento em que se para e só se ouve a tempestade, sem força para fugir dela, pois esse vento se torna parte do ser e se torna a própria certeza do que você é.

Morto, então, eu continuei. Sem forças, sem ânimo. Até que alguém se aproximou quando eu nem percebia e de repente notei que, enquanto eu ainda acreditava estar morto, esse alguém já havia me retirado da tempestade e me apontava o sol, tentando me fazer ver que eu estava vivo. No início eu não quis ver; não quis acreditar, pois tinha medo de acreditar demais e, por acreditar demais, morrer de novo. Eu reneguei e quis voltar lá para dentro, mas esse alguém me puxou tão forte que eu fui arrastado, e só me dei conta quando já vivia de novo aquela vida colorida daquele alguém que eu passei chamar de Amigo.

Mas eu morri novamente! É assim mesmo quando não se é seguro e se é fraco demais, mesmo sendo forte: a gente morre muitas vezes. Ser forte nesse momento não é vantagem, é derrota, pois a sua força se volta contra si mesmo. A força que você tem de levantar é a força que te derruba, a força que você tem de superar é a força que te consome; a força que você tem de ir adiante é a força que te faz recuar. Toda a força que você tem para romper é a força que te joga de volta lá dentro, pois você está lutando consigo e, sabendo da sua força, você se anula, se consome, se derrota, se elimina e se dá por acabado. Assim você morre sem se dar conta, e quando percebe, já morreu. Sem me dar conta, então, novamente eu tinha morrido.

E eu estava lá dentro, esperando ser consumido e desaparecer, mas de novo aquele alguém apareceu dizendo que eu não estava morto, que eu estava vivo. E quanto mais eu dizia que estava morto, mais esse alguém dizia que não, que eu estava vivo. Mas eu dizia que estava morto, e o outro dizia: não, você está vivo! Mas eu sentia que estava morto: eu me olhava e me via morto, então perguntava: como posso estar vivo se estou me vendo morto, me sentindo morto e já não respiro mais? Aquele alguém disse: você está vivo, e eu vou te mostrar! E me mostrou: me emprestou seu coração, eu tomei, toquei, senti e tremi: eu olhei e vi um sorriso. Eu estremeci de novo. Eu me olhei de novo e me vi colorido: de novo eu tremi. Eu estava vivo!

Mas sempre se morre. Sempre se cai. Sempre se despenca para aquele fundo tão estranho e invisível, mas ao mesmo tempo tao palpável e abstrato. Então, como sempre, de novo eu morri. Tantas vezes eu morri, e tantas vezes voltei à vida. Agora estou vivo, mas sei que em algum momento vou morrer de novo. Olho para dentro e suspiro. Morrer muitas vezes tem esse contratempo: você suspira e espera. Sorri e espera.

Dói saber que não sou o único, e que tantos outros sorriem enquanto morrem todos os dias. Sorriso não é sintoma de felicidade: as pessoas são bem menos felizes do que demonstram. Se alguém ler esse texto e achar que também vai morrer de novo saiba que, mesmo morrendo, tente não se finalizar. Não se acabe; não se faça ir para sempre, não se obrigue a se deixar de existir. Se esse caminho parecer provável demais, saiba que é porque você está morto, e, quando se está assim, é normal mesmo ver tudo cinza e escuro demais. Mas é só uma ilusão: aqui fora tem alguém tentando te dar vida.

Vamos ficar juntos e tentar viver juntos, o quanto pudermos, antes de morrermos de novo. Mas, se a gente morrer, vai ser mais fácil o resgate se deixarmos um rastro: então faremos isso. Vamos criar um rastro para, caso a gente se perca de nós mesmos, alguém possa nos encontrar.

Vamos conversar sobre isso; vamos falar com aqueles Amigos insuperáveis sobre nossos medos. Não tente vencer sozinho, pois você não conseguirá! Se criar uma aliança, mesmo caindo e morrendo, é mais fácil te trazer de volta à vida.

Não ligue para quem te julga, pois as pessoas vão te julgar até não restar mais o pó dos seus ossos! Não olhe para os lados, pois sempre há abutres no caminho esperando você cair morto mais uma vez para atacar sua carne debilitada. Olhe para frente: você tem mais Amigos do que pensa. Dê só mais um passo, e será um grande passo. Ande só mais alguns poucos centímetros, e será uma grande jornada. Tente só mais uma vez, já será a sua conquista.

Sempre terá os impiedosos, muitas vezes ignorantes de nossa guerra, dizendo ser o nosso mal frescura, palhaçada, drama, vontade de chamar atenção, coisas de mulher… Não escute: essas pessoas estão ali apenas para atrapalhar a batalha. Ignore! Ouça quem te chamar; ande para quem lhe estender a mão. Fuja de quem lhe fizer mal e lhe fizer tremer, ameaçando seu frágil equilíbrio: afaste-se! Não tente lutar sozinho nem enfrentar muitas batalhas ao mesmo tempo: faça cada coisa em seu próprio tempo. Mesmo morrendo, tente sobreviver, não para os outros, mas para você, porque você é importante demais para estar morto. Respire mais uma vez, só mais uma vez: dê um suspiro. Esse suspiro será uma pista para que seus amigos te encontrem caso você não se encontre mais.

Se você estiver lendo esse texto e acreditar que está sozinho, saiba que eu também costumo pensar assim, mas nós não estamos, pois as paredes do abismo impedem que vejamos o horizonte. Converse sobre você, se abra, deixe-se fluir lentamente, o quanto você conseguir, pouco a pouco. Vai ficar mais suportável. Diga em voz alta e baixa, para fora, para que um Amigo possa ouvir, pois se deixar aí dentro, isso vai te sufocar e de novo vai fazer você morrer. Você não está sozinho: existem tantas outras pessoas assim como nós, tentando não morrer dia após dia: nós estamos juntos nessa!

E proteja seu coração. Se tudo desabar e você cair: é nele que vai se acender a fagulha que vai te trazer de volta. Não desanime! Um dia, toda batalha enfrentada vai fazer você valer a pena.

Me perdoe pelas incontáveis vezes em que, pela falta de humanidade que há em mim,  nos devaneios e momentos inoportunos, empurrei minhas mãos contra a realidade de teus medos como quem dispara uma lança em teu coração.

Mas há algo sobre a maneira como você caminha levemente sobre a terra.
Levemente sobre a terra de minhas células.
Sobre as trilhas em meu corpo, que me faz querer estar aqui, pra você.

Obrigada por fielmente me levar em seu peito pra onde vai.
Acredite, é um privilégio estar ainda por aí depois de tantos conflitos e tempestades.

Tempera-me carinhosamente com o sabor de teus lábios macios e egoístas - digo isso recordando-me das vezes em que me disseste que eles sempre clamam por meu nome.

É entusiasmante quando graciosamente ensina-me à colorir o céu de vermelho novamente assim como eu fazia quando era criança
e conta para mim sobre tua vida e as boas lembranças que aos poucos se perdem junto com as fotos antigas.

Eu me envergonho das vezes em que te magoei ou que te feri com palavras incertas e duvidosas, mesmo indiretamente e sem querer.
Me perdoe por cortar os laços enquanto você os segurava firmemente.

Quero poder compensar toda a força usada por você, para nos manter vivos enquanto você profundamente respira pedindo por mais de mim e de nossos pequenos encontros.

Me envergonho dos dias em que esqueci dos sentimentos que tinha/tenho por ti por puro egoísmo e pelas minhas frequentes crises.
Porém agradeço por que em meio à minha falta de sanidade, você me entregou flores e me mostrou que tudo é uma fase.

Prometo te entregar o melhor de mim e me derramar em ti por inteiro com acordes e poesias, e jurarei incansavelmente à ti minhas palavras cortantes, dessas que só entram pra ficar e florescer.

Te juro, não minto, ficar aqui será minha vida.
Ecoar minha voz em tua alma será meu prazer todos os dias, até que se canse de me ouvir te dizer o quanto te admiro pelo que és e o quanto -e inexplicavelmente- eu te amo.
Te farei enxergar o horizonte colorido do qual te prometo em teus sonhos e em nossas utopias.

Te prometo ser teu e permanecer.
E recomeçar sempre que possível do zero - e assim me apaixonar de novo e de novo e a cada dia mais- e te dizer todos os dias que meus olhos não enxergam beleza maior do que a de teus cabelos ao vento e de tua alma despida quando hipnotiza-me com teus encantos.

Amo-te com meus erros e acertos, com meus joelhos ralados e imperfeições.
Amo-te com minha inabalável e rebelde força.
Amo-te na singularidade e expressividade das flores deixadas em tua janela pelas manhãs de segunda.
Amo-te com meus poucos inteiros e essencialmente com tudo o que restou de mim.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Mais um dia se inicia e com ele a certeza de que te amo cada vez mais.
Você me trouxe a esperança novamente
Devolveu o brilho no olhar
Despertou os mais belos sonhos
Me fez acreditar quando tudo parecia está perdido.
Sou grato ao tempo, a Deus, por ter colocado você no meu caminho e poder permitir viver cada momento ao seu lado.
Você me traz paz, me conforta, me acalma a alma.
Você me aquece quando estou com frio.
Como não te amar mais e mais?
Impossível e que o nosso amor sempre crescer e deperte em nós o melhor que podemos sentir um pelo o outro.
Quero está contigo todos oa dias da minha vida e te amar pra sempre de janeiro a janeiro.