Em memória de meu Avô Geraldo.
Dói muito perder alguém pra sempre, sabendo que nunca mais vamos nos esbarrar em uma esquina qualquer, sem planejamentos
sem nunca mais poder abraçar apertado e buscar consolo mútuo
como dói a morte:
sempre definitiva. sem retorno.
lembro até hoje de quando eu perdi meu avô
ele estava doente há algum tempo e a perda era, sim, esperada.
isso não fez com que doesse menos.
em meio a tristeza, eu me lembrava de tudo que ele foi, da família que construíram, dos sonhos que realizaram.
imaginava os tantos outros que não puderam colocar em prática e nem mesmo compartilharam com outras pessoas.
sempre que vejo a morte de perto, não consigo deixar de pensar que ainda existia muito a ser vivido por quem se foi.
que eu ainda tinha muito pra fazer com as pessoas que se foram.
outras tardes tomando café, contando histórias.
mais churrascos em família.
mais abraços.
queria até mesmo ouvir meu avó, que sempre teve o hábito de reclamar muito, se lamentando mais vezes.
só pra não me esquecer da voz dele, do jeito, das palavras favoritas.
também fico triste quando o tempo leva embora algumas memórias.
já não consigo me lembrar do tom exato dos olhos ou de como eles brilhavam quando elas sorriam.
me esqueci dos sotaques, dos hábitos, das roupas favoritas.
há alguns anos vivi essa perda e hoje vivo com saudades.
guardo algumas boas lembranças, de momentos especiais.
de quando eu e meu avô víamos os programas do Silvio Santos que ele adorava, A voz do Brasil e logo depois as novelas engraçadas; quando a família se reunia pra churrascos nos domingos e meu avô ficava na poltrona, sempre bem-humorado.
Me recordo da sua essência.
o que posso levar das perdas é a gratidão por todos os aprendizados, por todos os dias divididos, por todas as histórias que tanto me ensinaram e formaram muitas partes de quem eu sou.
obrigado.
Espero que vocêesteja bem.
daqui, sigo lembrando da pessoa incríveis que você foi.
Vai ser assim PRA SEMPRE VOU TE AMAR.
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