quinta-feira, 3 de setembro de 2020

você virou poesia

Mais uma vez assumindo para mim mesmo que eu sinto sua falta. 
Sinto sua falta como quando você sente falta daquela série que acabou, e tu sabe que não existem novos capítulos daquela história – somente o que foi e o que se é –  mas tu insiste em ficar reprisando os episódios. 
Sinto falta como sinto daquela série maravilhosa com personagens incríveis que foi cancelada pela Netflix e não teve desfecho – assim como nós.
Nossa história é aquele livro inacabado que não será publicado. 
O quadro artístico que não teve uma exposição.
A foto que não virou porta-retrato. 
Sinto falta de algo que sei que não volta; que não existem novos capítulos; que não terá uma nova edição; que a editora não irá mais traduzir; que a rádio nunca mais irá tocar. 
Van Gogh uma vez diz que não há nada mais artístico do que amar verdadeiramente as pessoas. 
Te amar foi arte. Romântica incurável, te transformo em poesia. 
Há quem diga que se apaixonar por alguém que escreve é nunca morrer, então te digo, tu/nós estará presente em meus textos, para sempre.

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